Apresentação

Bem-vindos ao blog da Aero & Náutica

Espaço criado para mecânicos e proprietários de aeronaves e embarcações.

O objetivo desse blog é desmistificar os sistemas elétricos e eletrônicos desses veículos. A eletricidade, por sua natureza abstrata, às vezes é assunto de difícil compreensão até para os letrados. Nesse espaço tentaremos abordá-la de maneira informativa para os leigos mas não esquecendo de postar artigos para aqueles que se encontram mais avançados no tema. Eventualmente, neste blog, o leitor se deparará com outros sistemas que não o elétrico mas como separá-los desse contexto se praticamente tudo que se instala em um barco ou avião vem acompanhado de um fio elétrico?
Esperamos que você desfrute ao máximo desses conteúdos que, certamente, contribuirão para a correta conservação e manutenção dessas maravilhosas máquinas.

George C. Lima

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Fios Estanhados x Fios não Estanhados

Mais um assunto que tem gerado polêmica: em ambientes marítimos, é obrigatório o uso de cabos estanhados? Acho que ninguém duvida dos seus benefícios mas nunca houve unanimidade entre europeus e americanos.


Minha primeira pesquisa foi verificar que tipos de fios são usados nos chicotes de motores marítimos pois sabia que os motores rodoviários não utilizavam o cabo estanhado. A eletrônica presente nessas máquinas é incrível e uma simples oxidação num terminal de conector pode pará-la. Para minha surpresa dois grandes fabricantes de motores náuticos, utilizados pelo estaleiro em que trabalhei, utilizam fios de cobre não estanhados nos chicotes da injeção eletrônica.
O fato é que, se não forem seguidas as boas práticas, nem o fio estanhado suportará as adversidades do ambiente marítimo. O fundamental, é evitar que o ar ou a umidade alcance os pontos de contato. A boa crimpagem e o uso de conectores selados manterão esses dois fatores afastados e mesmo um fio não estanhado poderá durar anos num barco sem apresentar problemas.


O que gostaria de deixar claro é que defendo a utilização de fios estanhados em aplicações marítimas, esses já amplamente utilizados na aviação. Mas essa prática sozinha não garante um bom desempenho. Quantos se preocupam com o isolamento, por exemplo? Se a umidade penetrar pelo encapamento, nem fio banhado a ouro resistirá!


Os fabricantes de motores náuticos utilizam fios não estanhados porque as outras variáveis que causam corrosão estão sob controle, exceto a intervenção de um técnico não esclarecido, mas isso é outra história.

Até mais

George C. Lima

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Terminais e Conectores Elétricos III

Bem, se respeitarmos os passos anteriores, conseguiremos uma boa junção elétrica e mecânica. Agora será essencial protejê-la da umidade, tanto em ambientes marinhos como em uma aeronave. A melhor forma de fazer isso é utilizando espaguetes termoencolhíveis, preferencialmente aqueles que trazem em seu interior um adesivo ativado pelo calor. A crimpagem deve ser feita no terminal sem o espaguete, porém ele já deve estar passado pelo fio e seu comprimento deve extender-se por meia polegada além da borda do terminal sobre o isolamento do condutor. A aplicação de calor através de uma pistola de ar quente (nem pense em alternativas como isqueiros e velas!) fará com que o adesivo se derreta preeenchendo os espaços vazios onde a umidade poderia acumular-se e encolherá o espaguete deixando-o firmemente colado no fio e conector.






Ok, mas, e a solda com estanho?? Um método consagrado através dos tempos... O que há de errado com ela?
Uma boa soldagem depende muito do fator humano, pricipalmente se a aplicação de terminais é repetitiva. Quem pode garantir que um técnico experiente consegue realizar 100 operações consecutivas de soldagens perfeitas? Quando o serviço é feito em uma bancada de laboratório isso pode ser plausível mas imagine-se confinado num porão de barco ou aeronave. Com uma ferramenta adequada para crimpagem, isso torna-se fácil. Mas existem outros bons motivos para evitarmos a soldagem como os listados a seguir.
- A solda a estanho não confere uma boa resistência mecânica. A soldadura absorvendo vibrações mecânicas, ao longo de um tempo pode cristalizar e perder a resistência mecânica além de causar mau contato elétrico. Bem, alguns autores defendem a soldagem após a crimpagem (jamais a crimpagem após a soldagem!). Isso além de acrescentar um tempo considerável num processo de manufatura ou instalação, pode recozer o cobre do terminal com o calor aplicado e fazer com que ele se afrouxe sobre os condutores.
- O estanho derretido, por capilaridade penetra longitudinalmente nos cabos endurecendo justamente o ponto que deve ter alguma flexibilidade para absorver vibrações e não passá-las para o terminal resultando em fragilização e falhas.
- Ao contrário da crença geral, a solda não é imune à corrosão. A soldagem não nos isenta da aplicação de espaguetes termoencolhíveis. Em ambientes hostis como casa de máquinas de embarcações, considere a aplicação de isolante líquido próprio para essa finalidade, já disponível no mercado nacional.
Ao longo do tempo que trabalhei em com embarcações, vi as boas práticas da aviação sendo absorvidas e aplicadas na indústria náutica. Talvez eu mesmo, de certa forma, tenha contribuído para a disseminação da cultura da qualidade aeronáutica na fabricação de lanchas, que no Brasil, ainda é uma atividade pouco profissionalizada.
Num próximo encontro falaremos sobre fios estanhados e não estanhados, outro grande mito que dará muito "pano pra manga". Até logo mais!

George C. Lima


terça-feira, 1 de maio de 2012

Terminais e Conectores Elétricos II

Uma conexão elétrica deve atender a dois requisitos, o mecânico e o elétrico. Uma crimpagem bem feita atende a essas duas condições. Para tal, a bitola do fio e do terminal devem ser compatíveis, a ferramenta deve ser apropriadamente ajustada e os materiais, do fio e do terminal, devem ser de boa qualidade. Existem boas ferramentas de corte, decapagem e crimpagem no mercado. A parte de crimpagem da ferramenta é composta por matrizes que fazem uma estampagem entre o condutor e o terminal, criando uma verdadeira "soldagem". A ferramenta deve ser desenhada para confinar o terminal e o condutor e a pressão exercida pela matriz deve ser concentrada na junção dos elementos. Por essa razão, um alicate crimpador simples de até R$ 100,00 não atende aos requisitos acima. Uma boa ferramenta de crimpagem deve ter matrizes para terminais isolados e não isolados e atender pelo menos 3 faixas de bitolas como por exemplo 8-10 AWG, 12-14 AWG e 16-18 AWG. A checagem de uma crimpagem deve ser feita visualmente com auxílio de uma lente de relojoeiro. Os fabricantes desas ferramentas fazem um corte transversal em um terminal aplicado para avaliar a qualidade da crimpagem e conseguem, assim, determinar a causa de uma aplicação incorreta como na figura abaixo onde podemos ver dois erros muito frequentes: a escolha errada da bitola do terminal e o ajuste incorreto da pressão.

Se houver espaços vazios entre os filamentos eles poderão ser ocupados por umidade e dar início a um processo de oxidação. Na próxima postagem abordarei outros aspectos e as desvantagens da soldagem sobre a crimpagem. Por enquanto é só pessoal.

George C. Lima

Terminais e Conectores Elétricos I

Por que a crimpagem é o melhor método para conectar fios e terminais?

Inicialmente, devo esclarecer qua a crimpagem é um método de prensagem do terminal elétrico, através de alicates apropriados, sobre os condutores do fio.
Durante muito tempo eu mesmo acreditei que o melhor método para unir fios e terminais era a soldagem com ligas de estanho. Afinal de contas já havia fabricado centenas de chicotes elétricos para aeronaves de acordo com manuais de instalação e as melhores práticas de então. O fato que motivou-me a pesquisar mais sobre o tema foi uma entrevista, na qual me candidatava à vaga de engenheiro de projetos num grande estaleiro nacional. O presidente da companhia perguntou minha opinião sobre conexões elétricas e afirmei-lhe, com segurança, que a melhor conexão seria a soldagem, ainda que a produtividade desse método fosse baixa. Sua resposta foi: "Alguém me disse que a crimpagem é melhor". Não desprezando a informação, a primeira coisa que fiz após a entrevista foi estudar detalhadamente o tema. Para minha surpresa descobri que estava equivocado. Ainda assim, consegui o emprego, onde mais tarde pude comprovar o que vou explicar na próxima postagem.

Abçs

George C. lima